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Não dá pra ser sustentável sem ter viabilidade econômica

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Depois de ouvir do engenheiro fundador do Green Building Council (GBC), no Canadá, Ashton Hayes, que era um arquiteto que pensava como engenheiro, o sócio fundador da Petinelli – Soluções em Green Building Guido Petinelli passou a rever sua forma de atuação no mercado.

Apesar de ser arquiteto de formação e ter mestrado em Arquitetura pela McGill University, no Canadá, ele sempre deu mais atenção à forma como os prédios são construídos do que ao design da obra propriamente dito. Para ele, é primordial utilizar sistemas sustentáveis e inteligentes.

A partir daí nasceu a Petinelli – Soluções em Green Building, uma das empresas de engenharia que se tornaram referência em construções sustentáveis e responsável pelos projetos de construção do centro de pesquisas do Grupo O Boticário, do Colégio Positivo Internacional, da Fábrica da Coca Cola, em Maringá, e do escritório De Paola & Panasolo Advogados.

Nesta entrevista, Guido ressalta que não existe sustentabilidade sem viabilidade econômica. “Se eu não trabalhar a viabilidade econômica, não tenho uma solução sustentável nem um edifício sustentável.”

Confira como foi a conversa com este arquiteto com alma de engenheiro:

Como surgiu esse interesse pelo ramo das soluções verdes?

Olha, foi por acidente. Eu ainda estava na faculdade, mas sempre fui interessado pela maneira que construímos e não pela parte do design. Me interessava saber sobre os sistemas utilizados para que um prédio fosse construído e sobre como ele funciona.

E como surgiu a ideia de criar a Petinelli?

A Petinelli nasceu há 10 anos. Antes dela, eu fui Diretor de Desenvolvimento do Conselho Mundial de Construção Sustentável. Nessa organização, meu trabalho era gerar conscientização. Eu precisava fazer com que o mercado se tornasse ciente de que existia essa nova maneira de pensar sobre edifícios. Depois de quase três anos, eu me convenci de que queria ajudar os clientes a fazer esses edifícios, e não só convencê-los do benefício, mas também falar sobre as maneiras de fazê-los. A Petinelli nasceu desse desejo de pôr a mão na massa e poder trabalhar junto com clientes na execução desses projetos.

Quais as suas referências de soluções verdes no Brasil e no exterior?

Uma das minhas inspirações é o Rocky Mountain Institute. É dali que sai a filosofia e o pensamento de que existe muito desperdício na construção civil, e que, a partir da ideia de que um edifício é um sistema complexo e que tudo dentro dele está interligado, terei muita oportunidade para a otimização. Fui muito influenciado por Ashton Hayes, engenheiro fundador do Green Building Council (GBC), no Canadá. Ele também foi presidente do World Green Building Council, para quem eu trabalhei. Esse cara é um visionário! Ele me disse “Guido, você é um arquiteto que pensa como engenheiro”, e assim eu vim parar na engenharia. Essas são as duas maiores influências pessoais e que caracterizam hoje a maneira com que a Petinelli atua no mercado.

O senhor acredita que é possível conciliar soluções verdes com empreendimentos rentáveis?

Lógico! Só existe um tipo de construção verde, aquela que gera uma maior economia na operação, um espaço mais confortável e produtivo para quem ocupa esses edifícios. Quando se está confortável, a pessoa produz mais, aprende melhor e gera mais valor. Não existe sustentabilidade sem a viabilidade econômica. Se eu não trabalhar a viabilidade econômica, eu não tenho uma solução sustentável nem um edifício sustentável.

Como Curitiba se coloca no ranking nacional das soluções verdes?

Quando falamos sobre construções sustentáveis, Curitiba lidera o Paraná; o Paraná lidera o Sul; e o Sul lidera o Brasil. A capital paranaense hoje é o epicentro de greenbuilding no país em termos de inovação, e é o lugar onde vemos os projetos mais avançados e de vanguarda.

E na comparação com o cenário mundial?

O Brasil hoje ocupa a 4ª posição no ranking mundial de números de projetos sustentáveis certificados. Ficamos atrás apenas do Canadá, da China e dos Emirados Árabes. Eu acho que isso diz muito quando falamos de edifícios autossuficientes. O Brasil está no mesmo nível da Europa e da América do Norte, é novidade para todos, e o mercado está nascendo agora. Os projetos brasileiros não deixam a desejar, e, com certeza, o Paraná e o Brasil estão à frente dessa tendência.

O que falta para que a cidade eleve seu patamar de adoção de soluções que respeitem o meio ambiente?

No caso de Curitiba, nós provamos que o setor privado é capaz de tomar a liderança e que a transformação e a mudança são possíveis por meio da força de mercado. Eu acredito que uma retomada econômica traga uma aceleração nessa transformação. É óbvio que, se o governo ajudar, será como jogar lenha na fogueira, mas acredito que a retomada econômica já serve para consolidar Curitiba na liderança que conquistou e fazer com que essa transformação ganhe ainda mais força.

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